Os assassinatos de Ieda Simplício, de 62 anos, e Fabiana Nogueira, de 47 anos, um casal de mulheres negras e LGBTQ+, são investigados sob sigilo pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG) como possível crime de ódio com viés misógino e lesbofóbico. Os corpos foram localizados na tarde de 20 de julho de 2026, enterrados em área de mata no bairro Samaritá, em São Vicente (SP), nove dias após o desaparecimento das vítimas, que residiam em Praia Grande (SP). Além dos restos mortais do casal, foi encontrado um crânio humano não identificado, o que ampliou as diligências policiais.
Investigação considera motivação de ódio
A Delegacia de Investigações Gerais requisitou exames periciais e necroscópicos para esclarecer as circunstâncias da morte. As autoridades realizam buscas para identificar os autores e avaliam se o crime foi motivado por misoginia, lesbofobia e racismo. O sigilo processual foi adotado para preservar a linha de apuração e evitar interferências externas.
Entidades LGBTQ+ e ativistas cobram que o caso seja tratado como feminicídio e lesbocídio, destacando a necessidade de reconhecer as motivações específicas da violência. A investigação segue em andamento com foco em reunir provas que permitam a responsabilização dos responsáveis.
Reações de lideranças e entidades
Um casal de duas mulheres negras que estava prestes a se casar, ambas foram encontradas mortas em Praia Grande em condições estarrecedoras
Erika Hilton
Seus corpos foram descobertos enterrados em uma área de mata nove dias após elas desaparecerem em São Vicente. Com seus corpos, foi encontrado também um crânio humano não identificado. […] E é urgente que o poder público se atente às possibilidades de feminicídio, lesbocídio e assassinatos motivados por racismo, que investigue, descubra, julgue e prenda os culpados por esse crime bárbaro
Erika Hilton
O Brasil continua sendo um país onde mulheres são assassinadas todos os dias. E quando essas mulheres são lésbicas, o silêncio e a invisibilidade também fazem parte da violência. Fabiana e Ieda não podem ser apenas mais um caso. Este crime de lesbofobia precisa ser investigado com seriedade, porque combater crimes de ódio também é responsabilidade do Estado. Justiça não pode ser seletiva
Anielle Franco
Quando crimes contra mulheres lésbicas-sapatão são tratados apenas como ‘homicídios’, perde a possibilidade de compreender as motivações da violência e construir políticas públicas para o enfrentamento. […] Quando denunciamos a morte de mulheres lésbicas-sapatão, afirmamos que este não é (mais um) caso isolado
Liga Brasileira de Lésbicas e Mulheres Bissexuais
Contexto e cobrança por justiça
O caso mobilizou organizações que defendem os direitos de mulheres lésbicas e negras, que alertam para a invisibilidade de crimes dessa natureza. As entidades reforçam que a classificação correta do delito é fundamental para a elaboração de políticas públicas de enfrentamento à violência. A população de Rondônia Norte acompanha o desfecho da apuração com atenção, em meio ao debate nacional sobre proteção de grupos vulneráveis.
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