De acordo com anúncio feito pela Agência Nacional de Transportes Terrestres em 5 de agosto de 2026, apenas dois dos oito leilões ferroviários programados para este ano apresentam chance concreta de ocorrer ainda em 2026. Os certames da EF-118 e do Corredor Minas–Rio dependem agora da aprovação do Tribunal de Contas da União, enquanto os demais projetos, como Ferrogrão e Corredor Leste–Oeste, devem ser adiados para 2027.
Condições para realização dos leilões
O governo federal pretendia realizar os leilões na primeira quinzena de dezembro de 2026, mas o atraso nas análises do TCU impede o cumprimento desse cronograma. O Ministério dos Transportes e a ANTT condicionam a continuidade dos processos à liberação do tribunal, que ainda não concluiu a avaliação dos estudos de viabilidade.
Os investimentos previstos somam R$ 140 bilhões em ampliação da malha ferroviária nacional. A postergação afeta diretamente as rotas de exportação de grãos, especialmente aquelas que beneficiariam produtores de Mato Grosso.
Impactos no agronegócio de Mato Grosso
Com a manutenção do transporte rodoviário como principal alternativa, os custos de frete permanecem elevados e reduzem a competitividade dos produtores de soja, milho e algodão. O presidente do Instituto do Agronegócio e da Feagro-MT, Isan Rezende, alerta para os efeitos práticos dessa situação no bolso do produtor.
O produtor local não perde competitividade dentro da porteira. Ele perde depois que o grão sai da fazenda e precisa percorrer grandes distâncias até os portos. Quando o frete consome R$ 20 ou R$ 30 de cada saca, uma parte relevante do resultado da lavoura fica na estrada.
Isan Rezende
Rezende também explicou o mecanismo de formação de preços: quando a demanda por caminhões supera a oferta, o valor do frete sobe e a diferença é repassada diretamente ao produtor rural.
Quando a procura por caminhões supera a oferta, o frete sobe e a diferença chega diretamente ao produtor. O preço recebido na fazenda é formado a partir da cotação no porto, descontadas as despesas necessárias para levar o produto até o destino. Por isso, um aumento de R$ 10 por tonelada no transporte reduz em R$ 0,60 o valor de cada saca de 60 quilos.
Isan Rezende
Vantagens da integração multimodal
Apesar do atraso, especialistas do setor defendem que a ferrovia continua sendo a solução mais adequada para grandes volumes em longas distâncias. O caminhão permanece essencial nas etapas iniciais, entre a propriedade e o terminal, enquanto os trilhos assumem o trecho principal até os portos.
A ferrovia é mais adequada ao deslocamento de grandes volumes por longas distâncias. O caminhão continua necessário para transportar a produção entre a propriedade, o armazém e o terminal. A diferença é que os trilhos assumem o trecho mais longo até os portos e centros consumidores.
Isan Rezende
Com os leilões remanescentes transferidos para o primeiro semestre de 2027, o agronegócio de Mato Grosso e de outras regiões produtoras deverá conviver por mais tempo com os custos elevados do transporte rodoviário.
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