A faísca que incendiou Brasília começou com um único parlamentar decidido a não deixar o escândalo dos descontos indevidos no INSS cair no esquecimento. O deputado federal Coronel Chrisóstomo, de Rondônia, assumiu a linha de frente em 2025 e transformou denúncias dispersas em uma investigação nacional que alcançou grandes operadores do esquema, protegendo milhões de aposentados e pensionistas brasileiros.
Uma corrida contra o tempo
Quando o escândalo ganhou dimensão nacional, Chrisóstomo percebeu que providências administrativas não bastavam. Era preciso usar os poderes de investigação do Parlamento para identificar quem autorizou, operou e recebeu os recursos retirados dos benefícios previdenciários. Ele começou percorrendo gabinetes e plenários, conversando pessoalmente com parlamentares, telefonando para colegas e buscando apoio de lideranças partidárias, mesmo durante o fim de semana.
Para criar uma CPI na Câmara eram necessárias pelo menos 171 assinaturas. Chrisóstomo trabalhou sem pausa desde a quarta-feira anterior e, em discurso oficial na Câmara em 29 de abril de 2025, relatou que já se aproximava do número mínimo. A mobilização continuou para mostrar que a causa era nacional, não apenas de Rondônia ou de um partido.
O requerimento que abriu o caminho
Em 30 de abril de 2025, o Requerimento de Instituição de CPI nº 2 foi protocolado com 185 assinaturas de deputados de 14 partidos, superando folgadamente o mínimo exigido. O documento propunha investigar sindicatos e entidades envolvidos em descontos de mensalidades de aposentados e pensionistas, com prejuízo potencial de R$ 6,3 bilhões. Chrisóstomo deu à mobilização o nome direto de “CPI do roubo dos aposentados”, colocando as vítimas no centro da discussão.
Mesmo após o protocolo, a instalação não foi imediata devido à fila de outros pedidos. O deputado não recuou e, em 13 de junho de 2025, apresentou o Requerimento nº 2.284 cobrando a instalação imediata para proteger aposentados, pensionistas, pessoas com deficiência e populações indígenas. Sua pressão manteve o tema em evidência e ajudou a criar o ambiente político necessário para avançar.
Da cpi da câmara à cpmi do congresso
Diante das limitações para instalar uma CPI exclusiva da Câmara, ganhou força a criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito. Embora o pedido formal de CPMI tenha sido apresentado por outros parlamentares, a mobilização inicial de Chrisóstomo foi fundamental para impedir que o escândalo saísse da agenda do Congresso. Ele integrou a CPMI como membro titular e continuou cobrando convocações e transparência nas decisões.
Os trabalhos alcançaram Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, preso em setembro de 2025 e apontado como possível operador financeiro que movimentou R$ 24,5 milhões em cinco meses. A investigação também chegou a Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, cujos sigilos telemáticos foram analisados em sala-cofre no Senado em março de 2026. A iniciativa de Chrisóstomo transformou uma coleta de assinaturas em uma apuração que atingiu lobistas, empresários e instituições financeiras, reforçando a defesa dos aposentados brasileiros.
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